Taxa de maquininha: como ela é formada de verdade

MDR, tarifa de intercâmbio, taxa de bandeira e antecipação. Entenda para onde vai cada centavo da sua taxa e por que "taxa zero" raramente é o que parece.

Equipe Pagnovo · 2026-08-01

Toda negociação de maquininha gira em torno de um número: a taxa. Mas quase ninguém explica de que ela é feita — e sem isso é impossível saber se a proposta na sua mesa é boa ou é maquiagem.

Os quatro componentes da taxa

O que você paga como "taxa" (o MDRMerchant Discount Rate) é a soma de partes que vão para empresas diferentes:

1. Tarifa de intercâmbio — a maior fatia

Vai para o banco emissor do cartão do seu cliente. É a remuneração de quem concedeu o crédito e assume o risco de inadimplência do portador. No Brasil, o Banco Central impõe tetos para o intercâmbio de débito e de pré-pago.

Nenhum adquirente pode reduzir essa parte — ela é do emissor.

2. Taxa da bandeira

Vai para Visa, Mastercard, Elo, Amex. Remunera a rede que conecta emissores e adquirentes, define regras e arbitra disputas. Também é um custo estrutural.

3. Margem do adquirente / subadquirente

Aqui sim está a parte negociável. É o que remunera captura, processamento, liquidação, suporte, antifraude e o risco de chargeback assumido.

4. Custo do equipamento

Aluguel mensal, venda do terminal ou nada (nos modelos "maquininha grátis", o custo está embutido na taxa).

Conclusão prática: quando alguém oferece taxa muito abaixo do mercado, ou está cortando a própria margem (insustentável a longo prazo) ou está recuperando em outro lugar.

Onde a conta costuma esconder o custo

Prazo de recebimento (D+0, D+1, D+30)

Esse é o mais importante e o mais ignorado. Crédito à vista tem liquidação padrão em 30 dias. Receber antes é antecipação, e antecipação tem custo financeiro.

Uma taxa "baixa" com D+30 pode ser mais cara na prática que uma taxa "alta" com D+1, se o seu negócio precisa de fluxo de caixa. Compare sempre taxa + prazo juntos.

Parcelamento

No parcelado, o custo cresce com o número de parcelas, porque a antecipação é maior. As perguntas certas são:

Taxas por faixa de volume

Vários players usam tabelas regressivas: quanto mais você fatura, menor a taxa. A taxa anunciada na propaganda costuma ser a da faixa mais alta, que talvez você nunca alcance. Verifique em qual faixa você cai hoje.

Custos avulsos

Tarifa de transferência para conta de outro banco, taxa de manutenção, custo de bobina, multa de cancelamento de contrato, taxa por chargeback.

Como comparar propostas de verdade

Não compare percentuais isolados. Monte esta conta com os seus números:

Custo mensal real =
    (faturamento débito       × taxa débito)
  + (faturamento crédito 1x   × taxa crédito 1x)
  + (faturamento parcelado    × taxa parcelado média)
  + custo de antecipação (se aplicável)
  + aluguel/mensalidade
  + tarifas avulsas

Rode essa conta para cada fornecedor, com o seu mix real de vendas. A ordem de "quem é mais barato" muda com frequência quando você faz isso.

Perguntas para fazer antes de assinar

  1. Qual a taxa para débito, crédito à vista e cada faixa de parcelamento?
  2. Qual o prazo de liquidação em cada modalidade?
  3. A taxa de antecipação está embutida ou é cobrada à parte?
  4. Existe tabela regressiva por volume? Em que faixa eu entro hoje?
  5. Tem aluguel, mensalidade ou fidelidade? Qual a multa de cancelamento?
  6. Transferir para outro banco tem tarifa?
  7. Qual o custo em caso de chargeback?
  8. PIX na maquininha tem taxa?

E o "taxa zero"?

Costuma se referir a PIX (onde o custo estrutural é realmente muito menor) ou a uma promoção temporária por tempo/volume limitado. Vale ler as condições: taxa zero em PIX é legítima e comum; taxa zero em crédito não existe de forma sustentável, pelo simples fato de que intercâmbio e bandeira precisam ser pagos.


A Maquininha Smart da Pagnovo trabalha com taxas transparentes que diminuem conforme o volume, sem aluguel e sem mensalidade. Fale com o time para simular com os números do seu negócio.